24/6/2008
A IMPORTÂNCIA DO CUIDADO DE ENFERMAGEM EM NEONATOS COM ENTEROCOLITE NECROSANTE

A enterocolite necrosante (EN) é uma doença grave com isquemia parcial ou completa da parede intestinal, geralmente do íleo terminal. Com a progressiva melhora dos cuidados aos prematuros, a sobrevida aumentou e a doença passou a constituir, neste grupo, a emergência gastrintestinal mais comum nas unidades de cuidados intensivos. A etiologia não está completamente esclarecida, e é determinada por uma associação de fatores que afetam particularmente os recém-nascidos (RN) de baixo peso durante as primeiras semanas de vida. São fatores causais reconhecidos o uso de fórmulas lácteas, cateteres, hipoalbuminemia, infecção local ou sistêmica. A patogênese da doença é complexa e multifatorial, e a prematuridade é o único fator de risco consistentemente identificável. A imaturidade das defesas do hospedeiro favorece a colonização bacteriana e dificulta a resposta às toxinas bacterianas. Os mediadores inflamatórios resultantes parecem constituir mecanismo importante da grave lesão intestinal, inclusive com formação de radicais livres de oxigênio. Também tem sido observado que uma isquemia inicial do intestino seguida de necrose intestinal. É associada a introdução precoce de fórmula láctea, especialmente se hiperosmolar e em grandes volumes, à ocorrência da doença.O aspecto clínico inicial indicativo da EN é a distensão abdominal acompanhada ou não de enterorragia. Nesta fase, em geral surgem vômitos de material claro a princípio, seguido de conteúdo biliar ou sanguinolento. Em recém-nascidos pode não haver antecedentes e geralmente há eliminação prévia de mecônio, enquanto nos lactentes o quadro é precedido de processo infeccioso gastro-entérico e diarréia. Além da distensão do abdome, observa-se por vezes na parede abdominal sinais de processo inflamatório - eritema, calor e endurecimento dos tecidos, particularmente na região peri-umbilical. Este último é um sinal bastante específico da EN e importante para o diagnóstico da moléstia no período neonatal, de outra forma, a ocorrência é menos freqüente nos lactentes desnutridos. Na fase adiantada da moléstia observa-se grande aumento da distensão abdominal, grave comprometimento do estado geral, sinais de peritonite, desidratação e estado de choque. Na tentativa de bloquear as perfurações intestinais decorrentes da necrose, as alças intestinais migram para o local do processo inflamatório intra-abdominal, e acoplam ao sítio, como mecanismo de defesa. Nesta circunstância a palpação revela a presença de massas abdominais de proporções variadas.Os exames laboratoriais são pouco específicos para o diagnóstico, retratam o quadro infeccioso/inflamatório e as condições clínicas do paciente, e por vezes são indicativos da evolução. O exame radiográfico simples do abdome apresenta padrões bastante variados, desde aspecto pouco característico até a presença de sinais diagnósticos da enterite necrosante: desproporção entre o conteúdo de gases nas alças e o volume abdominal, imagem sugestiva de líquido na cavidade peritoneal, desigualdade de calibre das alças intestinais, irregularidade na distribuição dos gases (indicação de obstrução intestinal), e coleções líquidas localizadas. A presença de bolhas de gás na intimidade da parede do intestino (pneumatose intestinal), quando visível à radiografia é característica da doença. O pneumoperitônio caracteriza a perfuração intestinal, porém sua ausência não afasta o diagnóstico. O exame inicial do pode oferecer elementos conclusivos para o diagnóstico da EN, porém, muitas vezes isto não ocorre, e a reavaliação radiológica a cada 12 horas torna-se necessária. Isto não só possibilita observar o aparecimento de algum sinal diagnóstico, como avaliar a ocorrência de perfuração intestinal, aspecto importante para direcionar a terapêutica, como explanado adiante. Outro meio propedêutico relevante para o diagnóstico da EN, é a punção abdominal, nos casos em que há evidência clínica ou radiológica de presença de líquido intraperitoneal. O tratamento clínico é iniciado assim que é feita a suspeita de EN, os objetivos são os de manter as condições gerais da criança, enquanto o tubo digestivo é deixado em repouso completo. Portanto, a alimentação oral é imediatamente interrompida e a descompressão gástrica é realizada através de sonda naso-gástrica. Devem ser assistidas e reparadas a hidratação, perfusão, oxigenação, equilíbrio ácido-básico e realizado o controle térmico. Após essa fase inicial, inicia-se a nutrição parenteral para a manutenção das condições nutricionais. A antibioticoterapia parenteral tem início imediato, para tratamento da infecção local e da sepse, que sempre está presente. O tratamento cirúrgico é reservado aos casos complicados de EN, ou seja, quando há gangrena ou perfuração intestinal.

Martins JL, Kopelman BI, Cury EK, Miyoshi MH, Barros MCM, Goulart AL, et al. Enterocolite necrosante – Experiência clínico-cirúrgica de 10 anos na unidade neonatal da Universidade Federal de São Paulo/EPM. Rev Paulista de Pediatria 1999;17:59-63.

Schettini ST, Miyoshi MH. Enterocolite necrosante neonatal. Pediatria Moderna 1999;35:145-88.

Kliegman RM; Fanaroff AA. Necrotizing enterocolitis. N Engl J Med 1984;310:1093-5.

 

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24/4/2008
Uso de Óxido Nítrico na Hipertensão Pulmonar

Na atualidade, é notável a crescente utilização do óxido nítrico (NO) em Centros de Terapia Intensiva Neonatal como terapia para redução da pressão arterial pulmonar e melhora das trocas gasosas em neonatos acometidos de hipertensão pulmonar persistente. Torna-se, portanto, evidente a necessidade de conhecimento a respeito de tal terapêutica para que, com subsídios teóricos, haja a abertura de espaços para reflexões e discussões interdisciplinares, despertar o interesse de novos pesquisadores e propiciar parcerias para intervenções de enfermagem visando a uma assistência sistematizada e qualificada que reflita na eficácia do tratamento.

A transição normal da circulação fetal para a neonatal é caracterizada pela rápida redução da resistência vascular pulmonar logo após as primeiras ventilações, além de aumento da resistência vascular sistêmica que ocorre após o clampeamento do cordão umbilical. Com isso, ocorre aumento acentuado do fluxo pulmonar e do retorno venoso pulmonar, o que acarreta o fechamento funcional do forame oval. Paralelamente, vários mediadores humorais liberados em resposta ao aumento do conteúdo arterial de oxigênio, além de mudanças do pH, levam à constrição do canal arterial e ao posterior fechamento do mesmo, o que finaliza a transição da circulação fetal para a neonatal.

Hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido é o resultado de uma alteração na transição normal da circulação fetal para a neonatal. Essa situação é caracterizada pela manutenção de elevada resistência vascular pulmonar após o nascimento. Os avanços obtidos com as técnicas ventilatórias, além do tratamento com óxido nítrico inalatório bem como a utilização de oxigenação extracorpórea com membrana, têm melhorado a sobrevida dos recém-nascidos, embora a morbidade e as seqüelas, tais como doença pulmonar crônica, alterações do desenvolvimento neuropsicomotor, hemorragia intracraniana e deficiência auditiva, ainda sejam freqüentes.

É uma patologia que geralmente ocorre secundariamente a outras patologias pulmonares severas, incluindo aspiração de mecônio, pneumonia ou sepse, defeitos anatômicos e síndrome da membrana hialina. Apresentam vasoconstricção pulmonar, com elevada resistência vascular pulmonar, podendo evoluir para acidose e hipoxemia severa. A ventilação com inalação de NO é uma técnica ventilatória avançada que vêm sendo utilizadas no tratamento de neonatos com hipertensão pulmonar.

Produzido pelas células endoteliais dos vasos sangüíneos, o NO logo se difunde para o músculo adjacente, sendo capaz de dilatar a circulação pulmonar e sistêmica. No entanto, quando é administrado por via inalatória, ele difunde-se das vias aéreas para dentro das paredes dos vasos pulmonares, causando apenas a dilatação dos mesmos. Então, rapidamente se liga à hemoglobina no lúmem do vaso e é inativado, deixando a circulação pulmonar ligada à hemoglobina.

O NO faz parte do arsenal de primeira defesa do organismo com poder microbicida. Assim, está demonstrada sua ação antibactericida, antiparasítica e antiviral. No sistema cardiovascular, atua antagonizando as contrações da musculatura lisa vascular e inibe a ativação plaquetária; agindo nas integrinas, modifica a adesividade leucocitária e a diapedese. No sistema bronco-pulmonar, mantém o calibre brônquico e regula a freqüência dos movimentos ciliares e, na circulação pulmonar, equilibra a relação ventilação-perfusão. Sintetizado fisiologicamente, no sistema renal, o NO exerce funções de homeostase no fluxo sanguíneo e excreção renal. Já no sistema nervoso, além de ser considerado um neurotransmissor, atua como um potente vasodilatador, mantendo o fluxo cerebral basal.

Os cuidados requeridos envolvem aqueles relacionados à manutenção da oxigenação e ventilação. O enfermeiro deve observar a eficiência dos movimentos torácicos, os sons respiratórios, além de intervir em casos de necessidade de acúmulo de secreção promovendo aspiração endotraqueal. Deve-se analisar os gases sangüíneos avaliando a possibilidade do desenvolvimento de acidose respiratória. Apesar da oxigenação estar sendo controlada pelo respirador através da administração conjunta com o NO, faz-se necessário durante essa terapia, avaliar possíveis intoxicações que podem decorrer de administrações exageradas de NO e oxigênio. Para avaliar esse possível exagero na administração de NO, deve-se sempre estar atento a programação do aparelho.

A administração exagerada de NO poderá acarretar a formação de uma quantidade exagerada de metahemoglobina, levando a um quadro de hipóxia, devido aos danos celulares provocados por esse composto. Por outro lado o excesso de inalação de oxigênio poderá ser tóxico para o paciente, podendo levá-lo a uma parada respiratória. Durante o tratamento pode se fazer necessária uma possível correção de acidose, através da utilização da infusão de drogas ou eletrólitos, por isso é importante também a obtenção e a manutenção de uma via de administração intravenosa. O cuidado de enfermagem deve ser rápido e requer a experiência de um enfermeiro de unidade de terapia intensiva neonatal. A experiência em UTI neonatal associada ao conhecimento das bases fisológicas e farmacológicas permite ao enfermeiro prover o cuidado adequado para esse neonato, no que se refere ao gerenciamento e execução das intervenções.

Essa terapia pode requerer uma sedação do neonato para obtenção de um efeito ventilatório máximo, especialmente se a criança estiver respirando assincronicamente com o respirador. Nesses casos o neonato deve ser assistido constantemente.

Quanto ao posicionamento, a posição prona em recém-nascidos permite restaurar a oxigenação e equilibrar a função circulatória. Além disso, o recrutamento do espaço alveolar promovido pela posição prona pode, também, proporcionar o aumento do efeito de vasodilatadores inalados como o NO, promovendo melhora acentuada na oxigenação do que se usados isoladamente. A monitoração de saturação de O2 e outros sinais vitais, como temperatura, freqüência respiratória e cardíaca contínua e, se possível, pressão arterial invasiva contínua, são fundamentais.

Em relação à prevenção de lesões, o tratamento das vias aéreas deve envolver manutenção do tubo endotraqueal. O tubo do ventilador acoplado ao sistema do NO torna-se ainda mais pesado, sendo fundamental um posicionamento que permita força ou distorção mínima do tubo na traquéia, evitando, além das lesões, extubações acidentais e interrupção do tratamento.

Zelar pela manipulação mínima do neonato é consenso entre os profissionais da área e, ainda, recomenda-se minimizar a estimulação ambiental, evitando assim, o estresse do neonato.

Assegurar acessos venosos pérvios e monitoração de sangramentos são, igualmente, essenciais, pois o NO é capaz de agir na função plaquetária, inibindo a agregação e adesão das plaquetas.

Referencial Teórico:

Amaral JLG. Inalação de óxido nítrico. Rev Bras Terap Intens 1996; 8(2): 75-84.

Bruno F, Piva JP, Garcia PCR, Einloft P, Fiori RM, Barreto SSM. Efeito a curto prazo da posição prona na oxigenação de crianças em ventilação mecânica. J Pediatr 2001; 77(5/supl 2): 361-68

Diniz EMA. Hipertensão pulmonar persistente neonatal. Pediatria Mod 2000; 36 (ed esp): 197-208

Flora RF, Zilberstein B. Óxido nítrico: o simples mensageiro percorrendo a complexidade. Metabolismo, síntese e funções. Rev Assoc Med Bras 2000; 46(3): 265-71.

Santiago, C. M. et. al, Utilização do óxido nítrico como terapêutica: implicações para a enfermagem, 2002

Suguihara C. Tratamento da hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido. J Pediatr 2001; 77(supl 1): 17-24.

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24/4/2008
Andador: um atraso na vida dos bebês

Como é lindo ver seu bebê com maior liberdade de explorar o espaço mesmo quando ainda não anda, mas usa um andador. O grande erro dos pais – em seu total desconhecimento - é achar que o andador ajudará no aprendizado da criança ao começar a andar. Isso não é verdade. O andador traz prejuízos no desenvolvimento psico e motor do bebê.

Por que será que não é bom? Por vários motivos. A criança desde o nascimento passa por etapas do desenvolvimento em que cada fase serve de base para a próxima. Primeiro sustenta a cabeça, depois rola o corpo para os dois lados, se arrasta de barriga para baixo, senta com apoio, depois sem apoio, engatinha (alguns não passam por essa etapa), ficam em pé para então começarem os primeiros passinhos.

Em todo desenvolvimento motor e de equilíbrio a criança explora o ambiente e os objetos em sua volta, desenvolvendo paralelamente o aspecto neurológico. O bebê tenta alcançar objetos, observa os adultos e suas ações e imita.

O andador força a criança a pular várias dessas etapas essenciais para o desenvolvimento. Ela, por exemplo, não deixa a criança experimentar os “tombinhos” naturais do início do aprendizado do caminhar e, assim, a aquisição do equilíbrio é limitado e pode ainda deformar a estrutura óssea da perna.

Por pular etapas, o andador atrasa o início da marcha. Se o bebê é pequeno para o andador, usará somente as pontas dos pés para movimentar-se, o que poderá causar alguns problemas além do atraso da marcha, como alteração óssea.

Falsa liberdade - A sensação de liberdade que o andador oferece é ilusão. O andador não deixa a criança explorar adequadamente o espaço que está. Um simples objeto no chão e que desperte a atenção do bebê passa a se tornar algo inalcançável para o pequenino, pois o andador não oferece condições para que ele pegue e conheça a peça.

Já o bebê que não usa o andador poderá sentar-se no chão, engatinhar ou ir se apoiando nos móveis até chegar ao objeto desejado. Lembre-se: enquanto manuseia objetos e brinquedos, o bebê está desenvolvendo seu cérebro.

Veja como uma coisa puxa outra. O que pode ocorrer também com as crianças que usam o andador é a falta de estímulos pelos pais. Como a criança gosta do andador por movimentar mais rápido, ficam quietinhas e brincam sozinhas e são “esquecidas” pelos pais. A falta de estímulo pode causar uma deficiência no desenvolvimento neurológico.

Os acidentes que podem provocar graves lesões nas crianças são outro problema relacionado ao uso do andador. Os acidentes mais comuns são os tombos quando as crianças usam os pés para se impulsionarem para trás e batem a cabeça e as quedas em degraus.

De tão prejudiciais e perigosos para as crianças, a venda de andadores em países como o Canadá já é proibida.

O uso do andador compromete muito o desenvolvimento global das crianças. Os pais devem pensar nas conseqüências do andador antes de comprá-los. Não há criança normal que deixou de aprender a andar por falta do andador.

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